quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Um novo golpe é o grande desejo que continua reprimido na direita e na grande mídia
PT Itajaí07:29 1 comentários


A história mostra que estamos num estado de exceção. Para Walter Benjamin, pensador alemão do início do século 20, “a tradição dos oprimidos nos ensina que o estado de exceção em que vivemos é na verdade regra geral”. Benjamin, inspirado no quadro Angelus Novus, de Paul Klee, cria um conceito de história que nos ajuda a pensar nas descontinuidades do passado, que faz ressurgir das cinzas uma imagem assustadora.

Às portas das maiores transformações sociais vividas no Brasil, desde que um humilde operário (mais com uma consciência de classe que tem permitido amenizar a relação perversa da dinâmica capitalista) chegou ao poder, vivemos de forma mais nítida essa condição, de estar num estado de exceção, na medida em que há resistência às transformações.

Desde os primeiros periódicos na Europa, no século XVII, até sua consolidação no século XVIII, os jornais tinham como função criar uma consciência burguesa, o que significa constituir uma forma de pensar comum, o que permitiria unir forças para defender os interesses da classe.

Hoje, de uma forma muito mais explícita, a grande mídia funciona como aparelho ideológico. Até então, sem novidade. A diferença é que ela não consegue mais esconder sua posição. Ela se posiciona (o que é positivo) e faz campanha antigoverno (o que passa a ser um desserviço à sociedade).

É o caso da Veja desta semana, que continua sua campanha antigoverno, construindo um imaginário depreciativo. Para Veja, desde que Lula assumiu o governo, o presidente e o PT passaram à condição de nazi-fascistas, terroristas, baderneiros, guardiões dos portões do inferno etc., como vem fazendo sucessivamente (Na edição de 18/09/04, a matéria de capa "A tentação autoritária" associa o governo ao nazi-fascimo, a ditadura militar e ao terrorismo; na edição de 11/06/06 a manchete de capa já diz tudo: "Os PTbllus"; a ilustração da capa da edição 23/10/02 faz referência ao cachorro mitológico que guarda os portões do inferno, sendo que na cabeça estão Lenin, Trotsky e Marx, mas quem segura a fera é o Lula). Esse sentido depreciativo deveria funcionar como uma máquina de guerra, cuja atividade seria levar a maioria a pensar de uma maneira que favorecesse o status quo, ou seja, de manter os privilégios de uma minoria da sociedade, que detêm o poder sobre a maioria (neste caso, o poder de se comunicar com a maioria, mas sem revelar que está a serviço de uma minoria).

A agressividade da grande mídia, que são também grandes corporações econômicas, e sua perversidade no ato de criar factoides (inventar fatos), expõe a todo momento seu grande desejo: se a manutenção do status quo não pode dar-se por vias democráticas, um golpe de estado seria o melhor caminho. Quanto a inventar fatos, basta observar na reportagem da Veja que ela só ouve quem está a seu serviço, ou seja, não escuta o outro lado, não mostra provas convincentes. A Veja pratica um antijornalismo.

Não seria estranho também que empresários da comunicação e seus funcionários de confiança incluam na campanha difamatória os sindicatos. Quando a grande mídia diz que os “sindicatos viraram pelegos contra a liberdade de expressão”, como escreveu Miguel do Rosário, articulista de O Globo, omite que os profissionais da categoria não têm os mesmos interesses dos empresários da comunicação, cuja liberdade resume-se à política como mantenedora dos privilégios econômicos. Para ser mais preciso, a liberdade de expressão para eles é libertinagem para dominar, para reduzir a democracia à manutenção de seus interesses.

Nesse sentido de usar o sistema democrático como meio de anestesiar possíveis revoltas, a democracia seria apenas uma nomenclatura para manutenção de uma ditadura de mercado. Algo parecido com o nome partido político Democratas, que teria a função de encobrir na mente dos eleitores seu lastro histórico. Seu valor, seu lastro, seu cordão histórico é a sustentação de um autoritarismo (ou da manutenção dos seus privilégios, nem que seja preciso sucumbir valores humanos e sociais). O nome Democratas foi uma jogada de marketing para alienar eleitores, nesta luta de classe, neste estado de exceção. Lembremos do presidente de honra deste partido que foi governador biônico no Estado de Santa Catarina, na ditadura militar.

Nesse estado de exceção, Emir Sader foi preciso em sua análise (quando concedeu entrevista a revista Conteúdo, de agosto de 2010, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino – Contee), ao apontar o grande erro do PSDB, de “se aliar ao PFL [atual Democratas], não para impor o programa do seu partido, mas para realizar o programa da direita – o neoliberal. Nessa aliança se impôs a hegemonia neoliberal. Uma força que se pretendia social democrata realizou um programa originalmente contraposta à sua natureza”.

Essas considerações vêm mais como um alerta, inspirado também numa frase que Marx e Engels, cunharam no Manifesto Comunista: “tudo que é sólido se desmancha no ar”. Por mais que nossa democracia pareça consolidada, a grande mídia, como braço forte dos partidos de direta do Brasil, se apresenta como uma imagem assustadora. Para alienar a visão da sociedade, projetam seus desejos (de aparelhar o estado a favor de uma ditadura de mercado) sobre seus opositores. Assim, quando a revista Veja, a Globo, a Folha, o Estadão etc. trabalham para demonizar o Governo de Lula, associando-o com o nazi-fascismo, a ditadura militar e aos terroristas etc. estão, nada mais, do que mostrando o desejo reprimido da direita materializado nestas vozes.

A guerra continua no front: “A bala de prata é a maior fraude da história política do Brasil”, no blog http://www.conversaafiada.com.br/pig/2010/09/30/a-testemunha-bomba-do-pig-vai-tentar-associar-dilma-ao-pcc

José Isaías Venera, jornalista e Secretário de Comunicação do PT de Itajaí
Categoria:
COMUNICAÇÃO | PT ITAJAÍ Equipe de Comunicação do Partido dos Trabalhadores de Itajaí. Envie sugestões para o contato: comunicacao.ptitajai@gmail.com Acompanhe nossas notícias através das Redes Sociais: Facebook / Twitter

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